A fantastica fabrica de piscóticos dos doutores estatatopatas.

Horror e Humor: A fantástica fábrica de psicóticos dos doutores estatopatas.

Sociedade do espetáculo: Da polícia contra o humor à ditadura do terror

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Outro dia publiquei receita de bolo de laranja. Hoje vai como fabricar um sociopata providencial para abater, pendurar a cabeça na sala de troféus e chamar de seu terrorista.

Não sei se você também percebeu. Mas já faz alguns anos que todo ano o mundo acaba. Continua acabando. E ano que vem vai acabar de novo. Asteroides, guerras, bombas, doenças, meio-ambiente. Inclusive desde que esse novo veículo de informação descentralizado surgiu, a Internet, o mundo tem acabado não só das mais variadas formas, mas com uma frequência muito maior. Antes era todo ano. Agora é quase todo dia. Todo dia é dia de alerta: o fim está próximo. Há um claro padrão, quanto mais gente toda poderosa é flagrada de calças na mão fazendo o que não devia, e mais a população boina outrora calma se agita no cercado, e logo com mais frequência o discurso do fim do mundo é martelado.

Não que ele não tenha um fundo de verdade. Primeiro porque um dia vai mesmo acabar. Uma questão de probabilidades físicas e matemáticas. E segundo porque ele acaba todo dia, e não raro em desastre para muita gente, essa já uma questão da amostragem da população. Porém, em geral, não. Não só a tendencia histórica demostra que muito mais sobrevivem, aos desastres e desgraças do mundo, como há quem não mais do que sobreviver, viva e lucre da narrativa incluso as fictícias dessa perspectiva de um terror, desde que é claro, o ouvinte acredite que esteja suficientemente constantemente próxima, em tempo e espaço.

E dá-lhe apelação. E nada mais apelativo e tendencioso do que transformar uma projeção obvia em um alerta urgente de terror à histeria coletiva dos mais vulneráveis e suscetíveis. Um exemplo:

Especialista garante que asteroide pode colidir com a Terra – Ciência – iG

“É 100% certo que seremos atingidos, mas não é 100% certo quando”, afirmou a especialista.

Essa foi a mais cartomante, a mais vidente de superpop, tipo vai cair um avião com uma pessoa famosa esse ano. Eu também tenho uma previsão para cada pessoa do mundo, é 100% certo que todos vamos morrer, só não é 100% quando. Notícia: Especialista em assuntos aleatórios (Ou seja em porra nenhuma) faz previsão aterradora: “Aguarde, em breve vamos todos morrer! Entrelinhas da matéria: Quão breve, ele não sabe, mas com certeza é breve porque afinal a vida é curta, e algumas ainda mais curta que as outras. E nem preciso saber, o que cara quis dizer, ou o que ele disse nem foi isso, que ele estava tentando explicar a importância do seu trabalho de monitoramento, etc e tal… e saiu mais um: Buuuu, o fim está próximo, às custas das declarações do cara. E como deve ser bom trabalhar com jornalismo com uma pauta e agenda destas…

Divertido para alguns vacinados porque não passa disso, apenas uma falsa notícia, narrativa distorcida, embora para outros não o seja. Porém essas são fracas, o problemas é quando o material, a narrativa não é terror B a lá ficção científica, mas terrorismo feito com realidades bem mais concretas, e que de ameaça vazias e distorcidas, podem vir de fato a se tornar previsão que se autorealiza, se é que não é já o destino que estava previamente selado, como sua condição de vida, muito antes da propagando de terror. De modo que sim para alguns, e não são poucos, o mundo não vai acabar amanhã como narrativa, o armagedon já chegou ontem, para outros faz tempo. Contudo para uma grande maioria que poderia fazer algo, não passou disso, de mais susto, que se não leva a histeria coletiva, ao surto violento, ganha tempo, paralisa senão pelo medo, ao menos atrasa tirando a atenção do que realmente interessa.

É como espalhar sementes, algumas não vão dar em nada por que o terreno não é propício, outras vão frutificar das mais diferentes formas. Apatia, ansiedade. Mas biologicamente ainda que inconscientemente, em face a morte certa, há duas respostas biológicas instintivas: fingir de morto, ou partir para o ataque. Justamente as duas que mais interessa a fabrica de quem cultiva terror. Porque quem conta história de medo quer duas coisas do ouvinte, que ele se borre todo e paralise. Ou entre em pânico e se sentindo como rato acuado você ataque por não ver outra saída. Se você não é um idiota, mas um idiocrata, o que você é exatamente as duas coisas, na proporção estatista que a difusão do medo e terror causas na psique das massas, especialmente quando proveniente não de bebuns da esquina mas de figuras de autoridade, isto é o idiocrata, qual a qual as massas imbecilizadas foram devidamente amestradas a identificar-se e projetar-se a si mesma como coletivo na sua persona em particular.

O famoso poder da representatividade nas sociedades do espetáculo, todas, e o princípio da legitimação dos atos mais absurdos monstruosos dos idiotas pelo discursos mais monstruosos e absurdos dos representantes, seja por processo mimético ou catártico. Isto é, seja por imitação afirmativa de quem o macaqueia se sentido legitimado, seja por explosão desesperada de quem se sente ameaçado pelo poder supremo. Ou por catarse, em oposição a tudo o que ele representa, exceto um pequeno detalhe que o retroalimenta no poder: o ódio e discórdia. E claro a repressão que se autojustifica como armadilha. Lógico que o discurso não fabrica nem misérias nem distúrbios, apenas acende o pavio, tanto nas duas pontas tanto do psicótico que surta, quanto do psicopata mais limítrofe que se sente mais a vontade numa sociedade onde a monstruosidade e absurdos, iguais ou relativamente semelhantes passam a ser não só banalizados mas tomados por normais. Ou ponha um lobo a latir no topo da colina, e outros irão uivar e toda lua será de lua cheia.

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Ah e não se esqueça dos vampiros… esses nunca saem de moda:

Vampirismo: a doença fatal que matou centenas de pessoas

Ou como diria Voltaire lá em 1764, citado na própria matéria:

“O quê?! Em pleno século 18 existem vampiros?

“São cadáveres que deixam seus túmulos à noite para chupar o sangue dos vivos, seja em suas gargantas ou seus estômagos, e depois retornam aos seus cemitérios.”

“Enquanto as vítimas empalidecem e são consumidas, os cadáveres que sugam o sangue ganham peso, ficam rosados e desfrutam de um excelente apetite.”

“É na Polônia, na Hungria, na Silésia, na Morávia, na Áustria e na Lorena que os mortos se divertem tanto.”

“Nunca ouvimos uma palavra sobre vampiros em Londres, nem sequer em Paris.”

“Admito que nas duas cidades há corretores da bolsa e homens de negócios que sugam o sangue das pessoas em plena luz do dia; mas, embora corrompidas, não estão mortas. Esses verdadeiros vampiros não vivem em cemitérios, mas em palácios.” — Vampirismo: a doença fatal que matou centenas de pessoas

Neste sentido mais amplo, o vampirismo, essa sim é uma doença fatal que não matou centenas de pessoas, mas centenas e milhões de pessoas ao longo da história, continua matando, e vai continuar, ainda que muita gente não enxergue até onde chegam suas presas e vítimas… estas sim notícias de um fim que está próximo para muita gente…

Superbactéria é flagrada fora de ambiente hospitalar no interior paulista – Planeta

“Ficamos surpresos ao encontrar bactérias com tanta multirresistência e virulência em pessoas que não estavam hospitalizadas Algumas das bactérias analisadas tinham perfil genético característico de cepas causadoras de infecção hospitalar”, disse à Agência Fapesp o pesquisador André Pitondo da Silva, professor da Universidade de Ribeirão Preto (Unaerp) e coautor do artigo.- Superbactéria é flagrada fora de ambiente hospitalar no interior paulista — Planeta

Novamente tirando o sensacionalismo, o problema é real e portanto a preocupação absolutamente crível, assim como infelizmente a surpresa e se digo infelizmente não por ser uma declaração de surpresa que não merece toda credibilidade, mas justamente porque merece, e portanto declara o surpreendimento sobre uma possibilidade que não era assim tão imprevisível, muito pelo contrário, para nossa desgraça:

A revolução cientifica como bem sabemos não ficou só na medicina humana, mas também a animal. E assim como na agricultura o uso intensivo de aditivos agrotóxicos permitiu produções de grãos, também o uso de antibióticos permitiu também ganhos em produção industrial. E novamente o calculo de bundas, bocas, sujeira e fezes entre na equacionamento do espaço e tratamento das populações; que passam a literalmente cagar uma em cima das outras até serem alimentadas dos restos moídos uma das outras sem maiores prejuízos, conhecidos até então (…) doenças (como a da vaca louca), ou variedades ultra-resistentes aos antibióticos senão eram até então complementamente desconhecidas, eram ignoradas, bem como suas possibilidades de mutação e proliferação em outros ambientes ideais para tanto, os hospitais- em especial do mundo subdesenvolvido, onde a salubridade não é uma das prioridades no trato e tratamento dessa outra espécie recurso vivo, o humano. Some-se, então o uso indiscriminado dos antibióticos em humanos e animais, com condições de tratamento e assepsia hospitalar precários e você tem a cultura perfeita para produzir cepas mais resistentes. É como se estivéssemos a imunizar… as bactérias.

Um problema até então menor, aos menos para os civilizados (…). Afinal, se os microorganismos se adaptam aos velhos medicamentos, a ciência desenvolve novos, certo? Errado. Não é a ciência, é a industria que usa os avanços científicos para produzir novas drogas. E embora a lógica que produzimos nossos bens, o capital, incluso como conhecimento científico também é capaz de se adaptar, não o é na mesma velocidade competitiva, ou melhor, na progressão com que a natureza, no caso específico a microbiótica, tem demostrado possuir; ou seja, numa velocidade inferior a necessidade.

A última grande corporação a trabalhar com a produção de novos antibióticos vendeu seu asset recentemente, não simplesmente porque vender outros remédios e cosméticos dá mais lucro, mas simplesmente porque mais do que inviável produzir qualquer lucro com essa produção, não é possível produzir medicamentos que funcionem, não em tempo. Entre o processo de investimento, pesquisa, produção, aprovação e enfim distribuição da nova droga contra a cepa anterior que adquiriu resistência, novas cepas já se multiplicaram. Mesmo que não houvesse nenhuma perda nesse processo de produção- com, por exemplo, burocracia- ou seja, mesmo com todo o investimento, pesquisa e produção necessárias para produzir novas armas contra esses pequenos agentes biológicos, a corrida armamentista para a produção estaria perdida, porque na medida que o homem elimina ou neutraliza uma variedade, a partir dela e da própria necessidade de mutação desencadeada pelo ataque n outras se desenvolvem cada vez mais rápido e diversas.

E aqui entra o problema que vai muito além apenas do financiamento em pesquisa e desenvolvimento, a evolução. Os vírus, bactérias, ou mesmo fungos, assim como nós seres humanos não só sabem se adaptar para sobreviver, incluso em nossos ambientes tóxicos, como tem naturalmente uma capacidade muito maior de mutação, adaptação e proliferação do que a nossa, apresentando não só resistência mas variedades numa velocidade muito maior que nossa capacidade não só cientifica, mas econômica de produzir as armas biológicas contras eles, drogas. De modo que a industria farmacêutica não tem conseguido acompanhar as transformações ou mais precisamente as mutações que a próprio combate potencializa. Ou seja, a intervenção humana, tanto a econômica quanto cientifica ao mesmo tempo que elimina uma ameaça, engendra outras mais agressivas e resistentes por seleção natural. E não só por conta das contradições e falhas inerentes aos nossos modelos econômicos, mas por conta da própria visão e abordagem da questão que define tanto a economia quanto a própria ciência como se fosse uma luta ou combate aos inimigos, ou seja uma guerra. Uma guerra contra um outro reino da natureza. Guerra que está perdida desde que foi assim entendida e declarada, porque a vitória completa, a extinção desses micro-organismos resultaria na morte do vencedor; enquanto sua continuidade implica na adaptação deles contra nossas armas, tornando-os progressivamente não só mais agressivos e resistentes, mas ampliando sua diversidade e potencial aleatório destrutivo.

Guerrear contra a natureza é como travar uma luta contra uma hidra, onde você corta uma cabeça e não só duas, mas incontáveis novas cabeças surgem em seu lugar, algumas não só resistentes a sua velha espada, mas prontas para se multiplicar em novas formas resistentes as espadas que nem sequer ainda pensamos em criar ou conseguimos conceber. Uma luta portanto contra a própria vida. Uma estratégia que quem colhe seus sucessos no primeiro momento da batalha, enseja sua própria derrota sempre a longo prazo. E acaba por prejudicar o próprio desenvolvendo de medicamentos que visam promover a resistência do homem a esses micróbios, o processo do desenvolvimento de vacinas que trabalham com a abordagem [senão inversa, menos agressiva] a imunização, isto é, a produção de medicamentos que permitem ao organismo humano conviver com esses micro organismo sem ser mais [tão] prejudicado por eles. O que não afeta a sua capacidade de se mutar e eventualmente se tornarem novamente nocivos, mas a um progressão evolutiva que os avanços da medicina e economia teriam a mínima chance de acompanhar.

Notem portanto que seja nas limitações intrinsicas do nossos modelos socioeconômicos, sejam nas limitações do nosso modelo de saúde e medicina como combate as doentes, a raiz do problema é mesma, e não (só) de paradigma cientifico nem econômica, mas epistemológico, um problema de visão e concepção da natureza e ação humanas, onde impera a abordagem de guerra, cuja finalidade não é por sua natureza estabelecer ou manter equilíbrio ou harmonia, mas impor domínios e hegemonias. Digamos portanto como um general que escolhemos mal não só nossa estratégia de guerra bater de frente com um inimigo que não podemos vencer, mas escolhemos mal nossa estratégia e ponto. Elegemos como inimigo um força que não pode ser subjugada: a natureza ou mais precisamente a vida. — Trabalho e Propriedade: Do Programa Mais Médicos à crise da ordem geopolítica mundial

Só para constar que problemas não faltam. Mas voltemos as ameaças reais à vida, para o espetáculo do terror que nos impede de notá-las, e que portanto não deixa de ser uma uma parte do mesmo problema, ou mais precisamente uma outra frente dessa mesma estratégia e guerra só que num outro campo o da guerra da desinformação e propagação do terror às massas, ou mais precisamente seu plantio, cultivo, frutos e enfim a colheita entre anestesiados e surtados que também não deixam de ser clientes apenas das instituições políticos-governamentais mas também vejam só fármaco-hospitalares, esse sim mero efeito colateral do remédio, a ser oportunisticamente capitalizado e não propriamente o objetivo primário de primário nem da insalubridade e insanidade da vida, nem muito menos da administração dos ditos “remédios amargos” para saná-la e higienizá-la.

Assim voltando “ao reino dos homens” e sua lógica e máquinas de moer gentes, a fábrica, ou melhor fazenda porque o processo ainda é o mesmo, o primitivo: difuso. Semea-se o medo e ódio, de preferencia no campo fértil da vulnerabilidade da carestia e vulnerabilidade social em gestos, palavras ameaças e claro atos, de privação e violação e violência, para se colher entre os mais carentes, desesperados e perturbados o fruto dessa vinha da ira. E eis que o discurso se autojustifica e racionaliza, e a previsão se autorealiza, e quem semeia não apenas colhe o que plantou, mas ceifa para todos os efeitos incluso os teatrais.

Porque embora nem todos respondam da mesma, forma, mas cada um de acordo com sua individualidade, nisto consiste a sabedoria de quem não investe na coletividade, seja para o bem ou para mal. Afinal se numa população suficientemente grande de pessoas a ouvir música e ganhar um instrumento musical a probabilidade de surgir um músico expoência, embora nem todos se tornarão músicos. Exatamente na mesma população a ouvir apenas o verso e a prosa do ódio e ter acesso fácil, legal ou nem tanto a outros instrumentos, o resultado por óbvio é estatisticamente o inverso, ainda que muitos se neguem de seguir por esse caminho, e diga-se de passagem se nesse mundo se torna musico ao invés de um assassino proporcionalmente ainda mais por seus méritos e vontade própria e não dos outros, ou mais precisamente não por causa, mas apesar de.

O teatro da guerra de propaganda política, em todos os sentidos que essa palavra teatro é estrategicamente empregada, é teratologicamente brilhante e genial para quem gosta de bater palmas para o que diabolicamente, inteligente e perverso (ou se preferir que usa a inteligência de forma doentia para tudo que é perverso). Ele ataca a psique coletiva em mimeses e catarses. Planta ódio e discórdia para colher não só paralisados e fanáticos, mas para fazer literalmente a colheita perene e a audiência cativa dos surtados e perturbados enquanto uns tapam os olhos e gritam, não!!! E outros babam tem que matar.

E não adianta tentar procurar pêlo em ovo, na ação pontual de abate em si do louco, porque louco não é bandido, que sabe que perdeu. Uma vez armado o circo, uma vez armado o zoo, chegado o ponto derradeiro onde a força de fato se justifica como legítima defesa própria ou alheia, não adianta tentar criminalizar sua aplicação. Porque o crime não está ali. Ali de fato está o último recurso, que nem sequer precisa como não raro o faz atropelar o primeiro, mas para ser irrepreensível só precisa ficar a espreita para entrar em ação no momento certo, isto é, esperar que todos os que se opõem aos seus meios e métodos façam o que costumam fazer, ou seja, de concreto nada.

Não adianta tentar defender os direitos humanos com balela pontual nos momentos de crise humanitária. Seja de guerra, seja de violência, seja de desemprego, seja de fome, seja de reféns, doméstica ou internacional. Porque a reação pontual, é uma reação pontual, a inação ou a repressão. A garantia de direitos não é um trabalho de reativo de promoção de contra-narrativas, mas preventivo e proativo de disposição de meios e condições e dispositivos que constituem os direitos de fato. Porque tal discurso reativo é teatro. E se no plano do espetáculo cada gesto e fala é só o ator social- protagonistas, antagonistas, coadjuvantes e claro audiência cativa- cumprindo seu script, no plano do real; por trás da cortina do jogo das interpretações desses papéis sociais, esses mesmos atos e gestos denunciam muito mais do que as intenções de cada ator dessa novela, mas toda a trama e roteiro social onde tudo é previsível não só porque é só um espetáculo, mas exatamente a mesma novela com o mesmo enredo, personagem, e não raro até os mesmo atores, diretores, escritores, e claro donos do canal, até caírem de velhos. E é portanto na trama subliminar a própria trama do espetáculo entre bandidos e mocinhos que se encontra, entre feios e bonitos, núcleos pobres e ricos, que você encontra a verdadeira trama, aquela que paga e portanto ganha o que quer com toda a cena e encenação. E se você acha que é money, então é porque está vendo novamente os atores como atores, os player como players e não aquilo que eles realmente são para além desse jogo de encenação, gente que quer alguma coisa, quando não fazem alguma coisa, e não pouca e não com poucos, com as pilhas e pilhas dos meios e recursos que monopoliza e que essas cifras meramente representam.

Logo os gestos e falas e acusações que os atores trocam e que denunciam suas intenções como mero personagens na trama do espetáculo também denunciam não só tanto quanto bons ou mal atores são, mas o grau de consciência da atuação social para além dele, atuação que já não é representação nem discurso, mas ação e vivência e sobretudo fato como conhecimento de causa e labuta em algum momento na vida, a metis que nenhuma tecken consegue emular nem simular. De tal modo que tanto o choro e pesar, quanto o riso e comemoração frente até mesmo o mais grave dos momentos, a morte de um outro semelhante, só fazem revelar, o quanto ninguém se importa com aquela pessoa quando do seu nascimento, crescimento e sofrimento até que ela finalmente se converte no capital do seu negócio, estabelecimento, partidos, emissoras, corporação e instituições, o capital do negócio da sua intervenção como repressão oportuna ou piedade sempre tardia, um corpo morto e público a ser devorado estendido no chão. Pulsão de morte. Comedores de carniça.

É por isso que a luta é sempre pela criança que será abortada ou não. E nunca pela já nascida que vai se tornar o louco, o bandido em potencial. O objeto da introjeção dos ódios e piedades, das disputas entre repressão e tutela. Revelador portanto é o momento derradeiro onde há carniça humana e visibilidade pública. Porque os atores sociais públicos aparecem, enquanto a inação, a omissão e os problemas na raiz, no berço, na base, a protelação, a leniência, a irresponsabilidade mutuamente transferida, novamente desaparecem em meio ao ritual que já virou um show, enquanto a fábrica continua nesse exato instante a produzir nesse vácuo de inconsciência, insolidária e miséria não só material mas antes de tudo psíquica, mais uma nova geração de futuras carniças e urubus prontas a assumir interpretar seus papéis.

O problema portanto está em outro lugar. E não começa no pregador de ódio, mas nos campos onde essa semente frutifica, tanto para que ele chegue e cresça no poder, quanto para que se retroalimente dos ciclos de pobreza, violência e repressão. E nisto ele não está sozinho. Mas também junto aos defensores de direitos humanos que só na libertação da população após a desgraça, assim como seus antagonistas ideológicos com a repressão, são iguais na condição de urubus especialistas dessa hipocrisia vendida como se fosse democracia.

O problema está no vazio de atos e olhos e sensibilidade e sentimento para a realidade e verdade do outro, cada vez mais oportunamente preenchida como um abismo de divisão e discursos não só mais vazios e cheios de hipocrisia e falsidade ideológica, mas agora já de realidades e fatos alternativos destinados não só a manter o sofrimento e miséria alheia longe dos olhos e do coração, mas eliminar o miserável que já não pode ser mantido fora não do seu lugar de fala, mas do seu lugar, invisível e calado, sem possibilidade de ofender ou insultar com sua vil existência às vistas e audiências entretidas dos olhos e corações mais “sensíveis” a outras espécies de coisas e importâncias e que não toleram esse tipo de perturbações, ruídos aos seus valores.

De modo que o sangue derramado ainda por cima aduba e prepara a terra para plantar ainda mais miséria, discórdia, ira e vingança para novos predadores, hienas e urubus. É a antropofagia e necrofagia como um necrosistema que se retroalimenta dos ciclos viciosos entre fase-estado de hipocrisia-miséria a sua radicalização tirania-violência, porém todas elas assentadas no mesmo mal: desgraça e o horror que desagrega divide e aparta o sentimento gregário de comunhão que morre em apatia e insolidariedade entre os próximos que cada vez mais se estranham para a glória e proventos dos vendedores de cabras na sala: o pacificador.

Parece até teoria conspiratória, e é se for tomada como se cada agente que se move como idiota ou idiocrata nesse teatro jogado com vidas humadas, fosse completamente consciente ou completamente inconsciente dos seus papeis. Ninguém o é. E não o sendo, ninguém é tão esperto a ponto de não estar bancando o idiota, nem tão idiota, ou no caso, mais propriamente coitado a ponto de não estar se fazendo de, para foder alguém ainda mais que ele. Novamente a arquitetura prevalente das redes é a das piramides, ou se preferir das cadeias alimentares, e não propriamente das classes e arquétipos, incluso portanto a dos idiotas ou idiocratas. De tal modo que é sim, possível que o idiocrata em questão replique essa lógica que o favorece de forma inconsciente. E favorece ainda mais outros de forma mais estúpida e inconsciente ainda….

Ou seja sua ação não é o resultado de nenhum plano maquiavélico, mas assim como o outro há quem acredite sinceramente que a libertação de quem já foi desgraçado não depende da emancipação, mas da sua tutela, também há quem piamente acredite que a repressão, o cabresto e vara mais curta é a solução ou melhor a salvação dos problemas de todos. Já não percebem que na condição de tuteladores ou repressores não percebem que são os verdadeiros beneficiários do sistema que retroalimentam isso é algo que duvido que sejam tão pios ou falsos idiotas assim para que não percebam ainda que instintivamente e inconsciente a representar animais políticos e não propriamente a exercer nem promover o exercício da vocação humana: a disposição dos meios e condições para que todos possam exercer seu livre-arbítrio em paz e para paz, e não em pé de guerra e para a guerra, incluso a de versões do real, mas pode chamar de banalização da falsidade e falsificação ideológica como norma e normal, ou simplesmente a lógica dos absurdos como projetos totalitários concorrentes pelo poder.

Ou seja novamente uma diferença de grau e não de categoria. Assim como a própria sociedade da miséria que só vê e se dá conta dela como um problema de todos a requerer ações concretas e urgentes, mas ainda sim como demandas a serem transferidas- e não chamadas para si aos voluntários da pátria ou sociedade- quando os efeitos colaterais se exacerbam em relação ao beneficio fora dos tempos de crise. A saber: benefícios: mão-de-obra barata (povo) empurrada pela necessidade para ser empregada para fazer serviços que ela (sociedade) não quer fazer. Malefícios: mão-de-obra barata empurrada pela necessidade para fazer serviços que ela (sociedade) agora não quer que ela faça, mas já não tem como empregar, não todos. E eis que a burguesia se divide: prende e mata, enquanto espera a promessa do pleno emprego reduzir a panela de pressão. Ou troca o modelo antes que a panela de pressão das privações primitivas exploda de vez? Qualquer que seja a solução, é preciso lembrar que há que combinar com os russos… e claro americanos e agora chineses. Ah e claro, não se esqueça o próprio povo, que por mais entretido com a mesma sociedade do espetáculo, ou paralisado pelo terror ou fidelidade às reverências imaginárias, ou repressão e ameaças bem concretas, tem nas privações uma arma tão poderosa quanto contra sua cabeça, ou cabeças que nem sempre vão responder e se comportar conforme a teoria da imposição de condições e condicionalidades espera e prevê, não todas.

O que não quer dizer que o problema seja o sistema, muito pelo contrário, quer dizer que naquilo que estamos sistematicamente levando vantagem, ao menos por enquanto, embora na condição ou posição de idiocratas, da perspectiva de cima aos peixes que são ainda maiores, não passamos de idiotas úteis,e que portanto mesmo quando estamos usando e vendendo outro a preço de banana não deixamos de estar sendo ainda mais usados e nos vendendo imbecilmente no mesmo pacote ainda mais barato. E por badulaques ainda mais estúpidos, porque o coitado troca sua liberdade e dignidade por sobrevivência, ou seja não troca, é obrigado a trocar, já cabe ao idiota que a tem garantida, sobretudo a boa vida garantida não por quanto mas exatamente pelo quê troca sua. Porque idiotia não se aufere e mensura pelo quanto da importância dos valores que se troca, pela importância exatamente do quê ou não valor, incluso para deixar contabilizar. Porque subtrair e dividir é mera consequência de quem se deixou enumerar especialmente pelo alheio.

Mas isso já é colheita, ou melhor coleta de dados, e aqui interessa o como se plantam dados e fatos, não só como falsas narrativas que se impõe como falsificações grotescas de realidades alternativas, mas como se ditam como impostura e impõe como ditaduras falsas realidades únicas, como única realidade possível sem nenhuma alternativa concreta senão a submissão ao que lhe é ditado e imposto. Um jogo onde há player bem maiores que os domésticos também plantando suas sementes, para fazer sua colheita em um outro nível, onde o nosso teatro, tramas e dramas é só outro cenário das suas disputas geopolíticas por trás da cortinas desse bigbrother onde as narrativas dos atores são falsas mas o sangue dos figurantes é verdadeiro. E logo as consequências dessas narrativas de horror de fim de mundo que eles plantam e colhem não são apenas histórias de ficção, as mentiras e verdades alternativas, mas os crimes contra a humanidade que seu espetáculo tanto enseja como ação provocadora dos crimes futuros quanto ação acobertadora das omissões passadas. Num freakshow que se retroalimenta tanto da denúncia quanto da repressão dos próprios crimes, mas que como todo show não pode parar.

O rosto do menino que traduz a tragédia e o horror da guerra na Síria

E tem gente que acha graça disso. Ou que ache que estou fazendo piada chamando essa desgraça de idiocracia. Sim, é obvio que é um insulto, é obvio que é uma ofensa, porque não há sarcasmo, ironia que não o seja, uma provocação desrespeitosa, mas não ao sofrimento da pessoa humana, mas a toda nossa falsidade e hipócrita, nossa falsa compaixão, nossa falsa solidariedade, nossa falsa e encenada comoção e seriedade que de verdadeira só tem a reverência estúpida a nossa própria desumanidade e idiotia não tolera ver o reflexo da sua monstruosidade desconstruído especialmente no deboche ao supremacismo da sua falsa bondade e civilidade.

É por isso que, antes que de mãos dadas a propaganda do terror há sempre a patrulha e tribunal contra o humor, e se espectros partidários opostos polarizados e extremados da mesmo autoritarismo ideológico, tanto melhor, porque atacam a liberdade em duas frentes e flancos, a direita e esquerda, patrulhando a liberdade de expressão e o humor, e disseminando o terror e a repressão de fato.

Daí que não há melhor indicador do grau de periculosidade da imbecilidade de uma sociedade quando ela não só está divida mas cercada por idiotas por todos os lados. Uns a perseguir e querer enforcar bobos da corte como se fossem eles o próprio rei. E outros a bater palmas e a rir do palhaço assassino, este sim entronado que já não está mais a brincar nem a fazer piadas exceto as sádicas para sado-masoquistas.

Como se um bobo da corte ou pior fora dela tivesse o poder da autoridade e representatividade para transformar o patético em terror e não o palhaço assassino de tropas, armas e canetas para fazer do insulto, não só ameaça concreta, mas agressão e repressão, e claro silenciamento de quem ousar discordar do que dita e caga como regra. Um é no máximo alguém a fazer uma piada ruim, que por viver às custas de um trabalho mal feito, sem subsidio do monopólio da violência vai morrer sem ele. O outro é o joker, que tendo tomado esse poder, agora não só tem o poder de obrigar os outros a ter de ouvi-lo compulsoriamente, mas tem o poder de obrigá-los a pagar e punir quem não o fizer, ou tentar competir com seu freak reality show de terror e humor feito da vida e às custas de vidas alheias.

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Logo nada mais sintomático do fascismo de que humoristas estarem a se ver com a justiça enquanto palhaços sádicos e assassinos hão de tomar o poder. Nesse caldo cultural, do humor-terror assistia eu em meio ao programa humorístico de nome Pânico, que curiosamente trazia um Coronel da policia militar do Estado de SP, especialista em negociação de reféns, ele explica como era importante ao negociador observar para preservar a vida daqueles que estão sob poder do sequestrador não apenas observar as palavras, mas os gestos, e dizia ele e aqui transcrevo: “olha eu não sou um cara violento, mas olha minha mão estou mostrando arma[ e gesticula]… eu não vou bater, mas está de punhos fechados(…)”, uma lição universal para todos que estão sob alguma forma submetidos a um poder, legítimo ou não que não consegue se manter, não sozinho, não sobre todos, sem o subsídio da força de fato.

Logo, não é só a loucura que tem método, mas a imbecilização também. Daí, o intolerável do humor, ele é a manifestação da próprio irreverência, um insulto para tudo que se pretende absolutamente sério, a denuncia e ameaça constante a tudo que é patético e ridículo se pretende por seriedade especialmente a falsificação da realidade por excelência: a sua apresentação por e como excelência. Isto é, seja como arte da representação da vida, seja como representação da vida como arte. Nem a trama das tragédias e horrores do teatro da política, nem o drama e tragédias do teatro dramático pode ter no seu palco um ator que quebra constantemente essa quarta parede, e lembra o público que aquele medo que aquele choro, não é drama e toda aquela cena não é verdadeira, que quebra a seriedade do ato e da encenação, que lembra o respeitável público que lá fora, que tudo aquilo no fundo pode até não ser uma palhaçada, mas não é sério, não é o que merece toda a gravidade e seriedade, sentimento, amores e ódios. Tudo aquilo não é nada, é só um jogo, e o que realmente importa, não está ali, mas sempre fora.

Se o terror para funcionar precisa que o espectador acredita que o terror de borracha ou de computação exista, que o perigo ou autoridade estão realmente ali, com dedos olhos prontos a pular fora da tela, do palco, do palanque, do púlpito. O humorista, é o desgraçado que estraga todo o truque. É o moleque fiodaputa que solta o peidinho com a boca quando no momento de glória do pregador e professor, e estraga o granfinale onde estava o pavão quase a virar purpurina. Sim, ele corrói, destrói, expõe insulta ofende ao ridículo, sempre o sujeito que está a passar vergonha. É sempre o espelho do idiota, que muitas vezes é o próprio comediante que ao errar e fazer graça com o que não tem ou na dose, não expõe nada senão o que há de triste, patético e ridículo em si mesmo. E talvez o riso sádico da platéia já não seja nem do outro que ele expõe ao ridículo, mas dele mesmo. De modo que o ápice do humor não é nem quando ele leva as plateias ao riso estérico, mas quando ele rompe a fronteira do próprio humor e se veem diante de um espelho não das representações do ridículo do alheio, mas de si mesmo, tão verossimilhante que o riso não parece ter lugar. É o aplauso revolucionário dos constrangedores silêncios, e quiça até das vaias. Pode parecer ao desavisado sado-masoquismo, mas para o artista consciente do poder que tem pode ter a palavra para romper como atuação, o ponto de mutação. Se quiser mais que isso como transpiração e inspiração terá que deixar o mundo da atuação e espetáculos, e ir atuar diretamente na concretude da própria realidade, porque é lá que as ideações inspiradas hão de ocorrer de fato como ações e transformação irão ocorrer de fato e em tempo real.

Por isso o riso, humor é arqui-inimigos dos espíritos intolerantes e autoritários, e das artes que se levam e querem ser levadas e elevadas aos céus da seriedade, o patinho feio, e filha bastarda, ainda que de longe seja dos monólogos o mais difícil, da produção a que mais se exige originalidade, e nos momentos de perseguição das liberdades a primeira a levar chumbo.

Afinal quem mais é pago nesse mundo para ser ouvido? Quer livre concorrência mais perigosa? Ter gente especializada na arte do insulto, ainda que nem sempre com seus canhões direcionados para os todo-poderosos, porém livre leve e soltas por aí é sempre perigoso demais à uma cultura que sobrevive acima de tudo da demanda de reverencia ao privilégio da autoridade de quem é completa e reiteradamente privado de toda sua dignidade, não como uma piada de mal gosto ou violência simbólica, mas privado concreta e cotidiana como violação e desgraça de vida.

Novamente o humor que faz graça com a desgraça de quem sofre nada mais faz que denunciar o ridículo do sadismo do mensageiro e a platéia que reverencia monstruosidade e tiranias. E calar o mensageiro ou platéia não cessa o sofrimento, pelo contrário, apenas o esconde e vela. A seriedade com que se vela ou celebra não extingue as mortes, nem a cultura de morte, apenas difere do ritual reverencial não aos mortos, mas aos autoritários que determinam seus fins e usos e costumes. Porém o humor que faz graça com os desgraçados que fazem sofrer e matar, esse não só é a contracultura que denuncia o ridículo e patético de tudo que se vende como seriedade e importância e veracidade quando não passa de atuação e representação e não raro bem canastrona e ruim. Não só do poder, mas da própria audiencia, e não raro da própria arte e da própria comédia, e do próprio comediante, e nesse sentido a comédia, constitui-se como enquanto arte, como espelho, ou reflexão crítica da própria arte e comédia e comediante, não só no seu papel de arte voltada para o social, ou da arte pela arte, mas simplesmente qual o papel que ele quer não só representar mas que ele quer escrever para si mesmo para além do jogo de cena e representações, descortinando criticamente novas realidades que sequer ainda foram pensadas, a graça criativa da vida. Ao menos para quem consegue ainda ver graça não em sua desgraça, mas apesar dela.

Até porque uma vez extinta a desgraça perde-se a graça de quem ataca o desgraçado que sofre, e quem ri sadicamente como hiena do sofredor. Mas nunca o ridículo e patético de quem calar a crítica irreverente de quem expõe, seja como ofensa grotesca ou ironia sutil. Porque o ridículo o motivo da graça não está no dedo que aponta, mas na coisa em si, incluso o apontar o dedo para quem não se deve. De modo que no plano das ofensas ninguém precisa punir quem já se puniu a si mesmo ao ridículo. Porque o idiota que acredita que está expondo o outro ao ridículo apenas porque tem aprovação de outros idiotas que relincham juntam. E só alguém tão idiota quanto que acredita no mesmo tipo de reconhecimento dos fatos e verdades pode acreditar que calar ou mandar relinchar as suas ordens e não do outro, irá regular esse mercado de ofensas, ou pior, sobre o que os idiotas se riem choram, se movem, empacam ou fazem cara séria de que entenderam tudo, quando não entenderam é absolutamente porra nenhuma, salvo que tem que fazer cara séria e não rir senão tomam um apavoro e o pau come. Ah, bons tempos… a base da velha e boa educação, onde ninguém nem precisa saber porque, mas obedecia, porque bastava saber com quem estava falando.

Chamei de propaganda do terror, mas poderia ter chamado de educação ou cultura já que não é preciso nem de escola para ensinar as pessoas a combater os bobos da corte e o humor, e não os coringas feitos reis. Eis o verdadeiro golpe de mestre: enquanto os idiotas correm atrás dos bobos da corte cuja palavras não tem poder de arma, ou no máximo estilingue. Os idiocratas jogam seus coringas na posição de reis onde a palavra tem poder não da ofensa, mas da ameaça e declaração do horror de fato, incluso da guerra, piada sádica mais mortal.

Mais uma vez, parece que são assuntos que não deveriam ser misturados, a patrulha ideológica do discurso do humor, a apologia estatopatica do uso da repressão via força de fato devidamente retroalimentada tanto pela histeria frente à narrativa de terror quanto a perpetuação da miséria por trás das cortinas dessa eterna guerra espetacular para audiências cativas. Mas patrulha ideológica sem subsidio da ameaça judicial, é como tribunal sem força policial, mediador de conflitos. Assim como ideologia ou não, sem força de fato, sem armas e tropas para se impor como tal, não é ameça é doido e inofensivo por obvio de praça, só espanca, prende e bate ou cala ou se ofende incluso com seus mais absurdos gestos e xingamentos quem tem sérios problemas de convivência pacífica e tolerância, ou quer se fazer poder de polícia às custas justamente das carências e carestias, mas multiplicando os perigos que a falta de cuidados , solidariedade e sofrimento psíquico e material que a vulnerabilidade ensejam não como aposta na graça duvidosa, mas como aposta na desgraça. Aposta certa onde o desinvestimento em desenvolvimento humano é alto e abrangente e de longo prazo.

Diferente portanto da curva do aprendizado composta dos acertos e erros de qualquer arte fundamentada na livre expressão e manifestação. Onde quem sabe finalmente um dia não veremos uma nova geração de talentos não ser engolidos para fazerem escada para os filhos dos filhos nas mesmas velhas esquetes e papeis, copiando a invenção dos outros para imitar o mórbido nesse necrotério dos programas de horror e humor. E não teremos comediantes ainda mais ofensivos ou críticos a gosto da sensibilidade do ouvinte, do naipe de um Bill Hicks, que nem sei se tem graça, mas tem algo que cada vez mais o humor, especialmente no Brasil, onde pelo menos algumas vertentes do humor vão tomando ou retomando essa consciência do poder que tem: uma arma poderosíssima de libertação, e vacina universal contra a essa seriedade, terrorismo e paralisia mórbida que não sobrevive a luz (de quem ainda tem olhos par ver) desse espelho do ridículo das suas próprias contradições internas.

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Mas não tem problema porque o brasileiro é um sujeito de sorte, e deus é brasileiro…

Presentemente eu posso me considerar um sujeito de sorte
Porque apesar de muito moço me sinto são e salvo e forte
E tenho comigo pensado, Deus é brasileiro e anda do meu lado
E assim já não posso sofrer no ano passado

Tenho sangrado demais, tenho chorado pra cachorro
Ano passado eu morri mas esse ano eu não morro
Tenho sangrado demais, tenho chorado pra cachorro
Ano passado eu morri mas esse ano eu não morro
Ano passado eu morri mas esse ano eu não morro
Ano passado eu morri mas esse ano eu não morro

Presentemente eu posso me considerar um sujeito de sorte
Porque apesar de muito moço me sinto são e salvo e forte
E tenho comigo pensado, Deus é brasileiro e anda do meu lado
E assim já não posso sofrer no ano passado

Tenho sangrado demais, tenho chorado pra cachorro
Ano passado eu morri mas esse ano eu não morro
Tenho sangrado demais, tenho chorado pra cachorro
Ano passado eu morri mas esse ano eu não morro
Ano passado eu morri mas esse ano eu não morro
Ano passado eu morri mas esse ano eu não morro

Presentemente eu posso me considerar um sujeito de sorte
Porque apesar de muito moço me sinto são e salvo e forte
E tenho comigo pensado, Deus é brasileiro e anda do meu lado
E assim já não posso sofrer no ano passado

Tenho sangrado demais, tenho chorado pra cachorro
Ano passado eu morri mas esse ano eu não morro
Tenho sangrado demais, tenho chorado pra cachorro
Ano passado eu morri mas esse ano eu não morro
Ano passado eu morri mas esse ano eu não morro
Ano passado eu morri mas esse ano eu não morro –Sujeito de Sorte, em Alucinação, Belchior, 1976


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