Como aproveitar ao máximo um estágio em UX

Como tirar o máximo de proveito da experiência, e ao mesmo tempo entregar um trabalho de qualidade que impressione os seus empregadores?

Já escrevemos bastante por aqui sobre os primeiros passos para quem está querendo se aprofundar em UX, montar um portfólio de design e conseguir um emprego na área.

Mas e depois que você consegue o primeiro estágio na área? Como tirar o máximo de proveito da experiência, e ao mesmo tempo entregar um trabalho de qualidade que impressione os seus empregadores?

Reuni abaixo alguns pontos que costumo falar sempre que um novo estagiário começa no meu time. Alguns podem soar um tanto óbvios — mas nada é óbvio quando você está começando em uma área totalmente nova.

Errar faz parte do processo

Ninguém te contratou para que você acertasse tudo. Se a empresa quisesse alguém que já sabe tudo, teria contratado no mínimo um designer nível pleno ou sênior. Aliás, nem designers pleno e sênior acertam tudo de primeira.

Você acabou de começar. Todo mundo sabe, e respeita, isso.

Quando você é um estagiário, seus gestores estão de olho em muito outros aspectos além das suas competências enquanto designer:

  • Essa pessoa é pro-ativa?
  • É confiável?
  • É respeitosa com os colegas?
  • Sabe trabalhar em grupo?
  • Sabe ouvir os usuários?
  • Tem boas referências de design?

E não:

  • Essa pessoa desenhou uma homepage perfeita?
  • Ela sabe prototipar um aplicativo inteiro?

Como gestor, é importante deixar isso claro para o estagiário logo no início do processo. Ouvir isso dos chefes pode transformar completamente a experiência que eles têm dentro da empresa: eles se livram da pressão desnecessária de tentar acertar tudo, conseguem agir mais naturalmente durante os projetos e fazer a criatividade fluir muito melhor.

Você não está mais desenhando ficção

Enquanto você estava na faculdade (ou no curso de design que você fez antes de conseguir o estágio), você desenhava projetos fictícios, fora do contexto mercadológico em que design está inserido. Sim, design é um negócio, e não arte.

A diferença que isso traz é que projetos reais têm muito mais restrições do que os projetos que você faz enquanto é um estudante de design. Restrições de prazo, de verba, de sistemas legados que precisam ser usados, de tecnologias e devices usados pelos usuários, de aspectos demográficos, sociais e econômicos do seu público-alvo — e a lista é grande.

Quando essas restrições aparecerem, a primeira reação é achar que “ó céus, essas limitações todas estão travando minha capacidade criativa”. Isso acontece porque a academia acaba romantizando demais o papel de design na sociedade — e esquece de explicar para o aluno que design é um negócio.

Na prática, essas limitações acabam deixando o trabalho muito mais desafiador, e cada vez que você conclui com sucesso um projeto que tinha essas limitações você se torna um designer mais forte e preparado para futuros desafios. É a lei da seleção natural, onde os designers que aprendem a resistir às intempéries do mercado acabam se tornando mais criativos na abordagem que tomam nos projetos futuros.

Então desde o primeiro dia, lembre-se disso: você não está mais desenhando projetos fictícios para o seu professor.

Mostre desde o começo que UX ≠ UI

User Experience não é sobre desenhar interfaces.

É sobre projetar experiências que sejam simples, prazerosas e intuitivas.

Claro, interface é uma parte do que fazemos enquanto UX Designers, mas existe gente muito mais talentosa que a gente para escolher o tema visual da interface que estamos projetando. O grande valor de UX é trazer o pensamento estratégico para o produto ou serviço que está sendo criado.

Independente do seu nível hierárquico dentro da empresa: se você foi contratado como estagiário de UX, faz parte do seu papel lembrar os seus contratadores da importância do “U” do UX, o usuário. Caso você comece a sentir que seu trabalho está focado demais na interface, tente pensar em iniciativas onde você consiga trazer mais usuários para dentro do processo de design e fazer com que a voz deles seja ouvida pelos membros do time.

Pedir desculpa é melhor que pedir permissão

Como gestor, é preciso pensar duas vezes antes de contratar um estagiário, porque estagiários naturalmente demandam muito mais atenção, mentoria e tempo para feedback. Como dizem aqui nos EUA, “contratar um estagiário é contratar um problema, não uma solução”, e muitos gestores evitam contratar estagiários porque sabem do tempo extra que terão que dispender gerenciando o novo funcionário.

Uma forma de reduzir essa percepção por parte dos gestores é mostrar pró-atividade. Ao invés de esperar alguém te dizer o que você tem que fazer, procure prestar atenção aos sinais em torno de você, de quais projetos e pessoas precisam de ajuda, e qual a melhor forma de você ajudar. Quando você pergunta para seu chefe “tem alguma coisa em que eu possa ajudar?”, você pode estar criando mais trabalho para ele.

“Better ask for forgiveness than ask for permission.”

Tem uma frase muito usada aqui nos EUA que diz “better ask for forgiveness than ask for permission”, que representa muito bem essa mentalidade pró-ativa que é esperada dos designers dentro de uma empresa.

Não espere alguém mandar você fazer. Faça, do jeito que conseguir, e já chegue para a pessoa com o resultado final em mãos.

Mais alguma dica para quem está começando? Deixe a sua aí nos comentários abaixo.

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Como aproveitar ao máximo um estágio em UX was originally published in UX Collective Brasil on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.

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