Patriarcado: A rede de corrupção governamental dos Estados-Nações.

Patriarcado: A rede de corrupção governamental dos Estados-Nações. Em foco a rede dos Ibéricos e Latinos

Uma genealogia da bandidagem e dos criminosos da humanidade

Trechos do livro:

Corrupção e poder no Brasil: Uma história, séculos XVI a XVIII de Adriana Romeiro

E tem gente que ainda acha que tem trouxe o crime e a corrupção foram os bandidos pé de chinelo degredados de Portugal… aí, aí, depois os portugueses é que são burros. Como se a expectativa de vida dos criminosos de baixa renda, especialmente dos envolvidos com a criminalidade mais perigosa e violenta desse grandes chances de que deixar descendentes, ou uma prole com a mínima chance de escapar da mesma sina. Não duvido que sejamos herdeiros bastardos de criminosos e corruptos, mas não das galés e sim dos palácios e casas grandes.

E por aí vai… isso se explica não só pela cultura do estupro praticada pelo dominador macho sobre a mulher dominada e extermínio do macho dominado. Mas pela extinção lenta e progressiva das famílias e populações marginalizadas desprovidas das posses e poderes, ou seja dos recursos necessários para garantir a sua sobrevivência e de sua prole. Numa correlação de vulnerabilidade que se distanciam da patriarcas seja por legitimidade, gênero e primogenitura, o direito a herança dos primeiros filhos machos. Em geral as vítimas principalmente as que morrem jovens não deixam filhos, quem deixa são os que matam e estupram e continuam principalmente se continuam a fazê-lo ao longo de toda uma vida legal e impunemente.

Sim você provavelmente é descente de um bandido, mas não um degredado ou um batedor de carteiras de Lisboa, mas com muito maior probabilidade de um bandido bem mais perigoso ou poderoso, daquele que não mata um ou dois, mas quando mata, mata em massa, em guerras e genocídios e grandes pilhagens fomes. O descente bastardo de algum bastardo de um rei, um conquistador, um estadista. Talvez com tanta probabilidade quanto também descendente de alguma nativa ou escrava, um perseguido religioso novo ou imigrantes proletariado em épocas mais recentes.

Mesmos as famílias tradicionais e de sangue mais puro e nobre, que tem menos probabilidade de ter sangue de servos e escravos em sua árvore genealógica, dificilmente são completamente puras. Porque aí o que opera não é a seleção artificial, mas a natural da debilidade degeneração e infertilidade, mas com aquela beleza tão alva que só um legitimo membro de uma família real reproduzido em só gerações de relações consanguíneos são capazes de dar. Tão ao gosto dos supremacistas e eugenistas de sangue azul que se eles pudessem, nem fariam mais essa coisa nojenta chamada sexo, como essa outra coisa nojenta chamada gente, se pudessem simplesmente se clonariam, se reproduziram assexuadamente como tubarões. Artificialmente é claro porque essa é uma estratégia que a fertilidade natural da vida encontra justamente para escapar da arcabouço da morte e privações:

“A maioria dos casos documentados de partenogênese facultativa em vertebrados foram registados de fêmeas em cativeiro que não tiveram exposição a machos durante toda a sua vida reprodutiva” –Tubarão fêmea surpreende cientistas ao dar à luz após 3 anos sem contato com macho

Mas se é para apelar para o artificial. Para que reproduzir clones? Melhor, mesmo é não envelhecer e não morrer mais. Embora isso também resulte inevitavelmente em extinção da espécie, não só pela perda da diversidade genética mas pela absoluta ausência de evolução, da adaptação que somente a mutação entre as gerações pode gerar.

Não sei quanto a você mas eu preferia ser descender de um batedor de carteiras, um escravo, um índio, um empregado, do que um racista, um estatopata, um escravagista ou estuprador ou assassino em massa real. Mas eis aí uma coisa que a gente não escolhe, como o mundo que a gente recebe nos viramos tentando tirar o que há de melhor do que nos é dado como herança natural.

Os Excluídos do Reino

Os excluídos do reino (2000), é o título do livro de Geraldo Pieroni, historiador, professor do Departamento de História da Universidade Tuiuti do Paraná (UTP). Um estudo de processos inquisitoriais que culminaram com a pena de degredo proveniente de Portugal e destinada ao Brasil nos séculos XVI e XVII. O livro trata dos excluídos do reino português durante o período da colonização brasileira. Pieroni destaca o papel do Santo Ofício e dos degredados inquisitoriais banidos no Brasil.

Após dez anos de pesquisa, durante os quais o autor teve acesso a cerca de 26 mil documentos — entre eles os manuscritos em português arcaico do Arquivo Nacional da Torre do Tombo, em Lisboa, o autor apresenta sua versão sobre os degredados portugueses, condenados pela Igreja Católica por crimes banais. Segundo ele, a maioria dos degredados para o Brasil foi condenada pela Santa Inquisição e as autoridades portuguesas se valiam disso para promover a exclusão social: “(…) era uma forma de harmonização social, de livrar-se dos maus elementos, dos indesejáveis. De um lado, limpar a sociedade. Do outro, significava também povoamento das colônias, já que a população de Portugal era muito pequena”.

Entre as descobertas de Pieroni consta que mais de 50% das pessoas degredadas para o Brasil eram mulheres, acusadas, quase sempre, por feitiçaria, blasfêmia e bigamia. A explicação para o degredo das mulheres era de que elas não tinham força física para o trabalho nos remos dos navios galés para onde, geralmente, iam os homens condenados.

O autor contesta a versão de que o Brasil teria sido colonizado por criminosos. Segundo suas pesquisas, os motivos religiosos são pelo menos três vezes mais freqüentes do que os crimes como roubo ou assassinato: “O período auge do degredo foi o século XVII e a maioria dos criminosos eram os cristãos novos, registra Pieroni. –Os Excluídos do Reino — Wikipédia, a enciclopédia livre

Quem eram esse perigosos criminosos degredados: os cristão novos?

Judeus e muçulmanos meu irmão… judeus muçulmanos ou qualquer não-cristão obrigado a se converter para não ser torturado e morto por fundamentalistas cristãos portugueses e espanhóis. “Marranos” e “mouros” (designações pejorativas) que tiveram que abandonar ou esconder sua cultura e fé, para não ser garrotado e queimado durante as inquisições.

Após a expulsão dos judeus de Espanha por Isabel I de Castela e Fernando II de Aragão em 1492, cerca de 60.000 judeus que recusaram-se a converter-se à religião cristã emigraram para Portugal. D. João II, influenciado por judeus importantes na Corte, acolhe-os, mas impõe-lhes o pagamento de oito ducados de ouro[nota 1], quantia deveras elevada para a época, para permanecerem em terras lusitanas (os que não podiam pagar este valor viam metade dos seus bens confiscados para a Coroa). Pretendia-se a fixação de operários especializados, que faltavam em Portugal. Falecido D. João II, sucede-lhe D. Manuel, monarca que se revelou tolerante para com os judeus que não podiam pagar. No entanto, em Março de 1497, é imposta a expulsão da comunidade judaica de Portugal por meio de uma lei que entrou em vigor naquele mesmo ano. Para impedir a saída de tanta gente (e, consequentemente, de capital) do Reino, D. Manuel decreta a conversão forçada de muçulmanos e judeus ao Cristianismo no prazo de dez meses, criando assim o conceito de cristão-novo. Caso não o aceitassem, teriam que abandonar Portugal e as suas colónias ultramarinas. A medida foi uma tentativa de homogeneizar a religião na Península Ibérica e consta do acordo de casamento entre D. Manuel e a Infanta Isabel de Aragão, à data herdeira dos Reis Católicos.

No Brasil, os cristãos-novos degredados representavam mais da metade de todos os réus punidos com o degredo.

Após duas obras consagradas sobre o degredo na Inquisição portuguesa, Geraldo Pieroni lança Banidos, no qual seleciona um grupo específico dentre os condenados: os cristãos-novos. O autor reuniu mais de 300 processos de cristãos-novos condenados ao degredo para as terras brasileiras. Na primeira parte, analisa os mecanismos doutrinais, jurídicos e históricos da pena de banimento aplicada aos judaizantes e cristãos-novos; a segunda parte contém uma longa lista dos degredados: mulheres e homens, jovens e adultos, letrados e ignorantes, pobres e ricos. “O elo entre eles residia no fato de serem cristão-novos e, exatamente por terem sido acusados de judaizantes, aportaram nas praias do Brasil na condição de duplamente estigmatizados: judeus e banidos.”
A pena de degredo foi amplamente utilizada pelos juízes inquisitoriais desde o estabelecimento da Inquisição em Portugal, em 1536. Para o Santo Ofício, o banimento funcionava como defesa religiosa contra a heterodoxia e, ao mesmo tempo, servia como procedimento de purificação dos pecados cometidos. Nas centenas de cerimônias dos autos-da-fé, passaram milhares de homens e mulheres acusados de judaísmo. Muitos deles foram condenados ao banimento em terras brasileiras. No Brasil, os cristãos-novos degredados representavam mais da metade de todos os réus punidos com o degredo. — Sinopse :Banidos, a inquisição e a lista de cristão-novos condenados a viver no Brasil

Estudante colegial no “hinterland” paulista, fiquei estarrecido quando tomei conhecimento de que o começo da colonização brasileira esteve infestada de degredados e criminosos.
Terra de refugos e rebotalhos. Escória. Assim, pelos males e taras de origem, estariam justificados os atrasos e as desventuras do país: povo faminto, analfabeto e despolitizado.
Na descomemoração dos 500 anos ressurge a mistificação sobre a nossa origem condenada: a ladainha do Brasil periférico fruto de uma nação que perdera o rumo da história. Portugal, nação de segunda classe. É por isso, entre outros motivos, que vale a pena ler o estudo de Geraldo Pierroni sobre a vinda dos degredados de Portugal para o Brasil Colônia. (…)
Gente de mau viver. Poviléu. Arraia-miúda. Peões. Desterrados. Enxurdeiros. O degredo no entanto não foi constituído apenas da ralé. Bastava qualquer ofensa praticada por gente de boa reputação. Crimes leves, jogadores de cartas, videntes, falsificadores, prostitutas acarretavam deportação para o Brasil, o inferno atlântico, contrapondo a visão edênica dos trópicos eldorados.
Escreve o historiador dos vadios e das bruxas: “Ser banido, portanto, não significava necessariamente que o réu fosse criminoso no sentido dos ideais modernos”. — “Vadios e Ciganos, Heréticos e Bruxas” : Historiador faz anatomia do purgatório

Não há contudo como negar uma coisa, continuamos a viver como degredados em nosso própria terra. Marginalizados e estigmatizados por aqueles que nos governam os verdadeiros criminosos a legalizar seus crimes e criminalizar e penalizar a vida daqueles que tem seu estatua e classe social definidas exatamente pela condição de exclusão: o povo. No Brasil o degredado, o herdeiro do degredo de seus pais, o nascido condenado ao exílio até a morte ainda que preso dentro de sua própria terra. O vadio o marginal o descente de bandidos e da ralé, filho bastardo, servo e empregado de famílias de bandidos, mas bandidos de fino-trato, poderosos os legítimos donos e herdeiros dessas eternas capitanias hereditários, os herdeiros do patriarcado outrora espanhol e português. Hoje latino-americano e brasileiro.


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