Catalunha: E agora?

Artigo 155, Artigo 116, 1 meia sei lá o quê… o quê tudo isso significa?

Rajoy fez o que disse que ia fazer. conforme a cerimônia do cargo que ocupa exige: Não tem dialogo. Não tem mediação. Ele é o Estado, ele é a lei. O outro lado é o fora-da-lei e assim deve ser tratado por ele, o Estado. Branco no Preto. Foi firme e previsível, como ele e muitos queriam, foi ele mesmo e cumpriu seu papel como todos esperavam. E quando digo todos. São Todos mesmo. Não só aliados, mas o adversário. Nesse passa ou repassa, o governo catalão não quis aplicar medidas unilaterais e passou a vez para o governo espanhol, que não conseguiu seja por obrigação ou cacoete da função, repassá-la sem chutar primeiro. E agora? Agora, essa história de declaração “unilateral” de independência, foi a pique. O que há é pura e simplesmente uma proclamação de independência pacifica e democrática. Uma declaração que a comunidade internacional se a comunidade internacional não apoiar ou no mínimo condenar qualquer repressão com o emprego da força estará a vestir a mesma carapuça. A do autoritarismo que tanto condena em outros países fora da Europa. Daí que outra figura de linguagem seja mais adequada do que o vestir a carapuça, eles vão ter que tirar a máscara… de vez.

Então a resposta para a primeira segunda pergunta o que é esse negócio de artigo 155, e agora artigo 116… é muito simples. É o código, ou mais precisamente o sinal para quem sabe ler o mundo de que eles vão atacar, vão usar a força contra a Catalunha. É o sinal que na guerra epistemológica por corações e mentes. A guerra da propaganda renunciaram, a tentar se apropriar e definir os termos que são caros a população com os seus valores. Vão simplesmente agir, e na falta de qualquer linguagem inteligente que possa manipular ou substituir eufemisticamente a descrição das suas ações, vão passar a se referir agora as pessoas e ações de acordo com o linguagem universal dos fascistas, a da despersonalização e desumanização dos atos e seres humanos por números. 155, 166, AI-5, são nomes feitos para não significar nada, mas para dessignificar como o prisoneiro ou o aluno que não tem nome mais um número. Ou o maldito formulário de qualquer burocracia que só poderia ter um número, por não tem outro significado do que esse somar impedimentos. É importantíssimo portanto dar nome que não expliquem nada, porque se forem autoexplicativos vão dizer o indizível, nominar o que não tem justificativa nem explicação. Vão designar por 155 a intervenção militar. e por 166 a suspensão dos direitos civis (estado de sítio ,exceção, e por aí vai…) na Catalunha.

Definitivamente o legalismo é o fundamentalismo do patriota fanático, do crente nacionalista. Se houvesse nessas lei um mandamento número 4, não importa qual seja ele teria de ser cumprido por que é um mandamento. Mas qual é o mandamento número 4? “Servirás você e seus filhos de alimento para os reis quando ele mandar.” Canibalismo? Claro que não, que blasfêmia!!!Não é canibalismo é o mandamento número 4. Dizer isso é por sinal uma heresia, quer ser queimado na fogueira? Vou anotar o número do seu RG e IP. Mas que exagero! As leis lá como as daqui do Brasil são apenas feitas para proteger o Estado de Direito e a democracia veja só porque o referendo é ilegal:

As autoridades espanholas argumentam que a separação não é legal porque a Constituição do país declara que o país é indivisível. Além disso, a Constituição também estabelece que só o rei pode convocar um plebiscito, depois de ser proposto pelo chefe do governo, com autorização do Congresso. –Catalunha pode declarar independência

Mas e se as pessoas quiserem então só se livrar do Rei e da corte lá ou dos reizinhos de da corte aqui? Precisamente estariam a retirar os direitos fundamentais invioláveis deles, que são os de violar os seus não podem dividir nem se separar porque nem uma coisa nem outra,nem seus corpos nem seu território pertence aos habitantes, mas sim ambos a eles. Logo desobedecer asia lei e ordem é um crime. Entendeu?

Entendi, entendi que sou um servo medieval de um Estado Bancário, mas

Ok, mas isso não explica a segunda questão? E agora? Agora que o governo Catalão muito provavelmente tem pouco mais ou menos de 5 dias para revogar a suspensão e dar continuidade com a independência se esse é de fato seu objetivo. Daí em dia é uma questão de quando ou se eles conseguirão apoio internacional com força necessária para frear a escalada de repressão do Estado Espanhol que conforme ele deixou claro só vai para quando se cumprir a lei. Ou como é da natureza covarde dos que usam da violência, uma força maior impor uma lei que faça eles enfiarem a sua no meio das pernas. Tudo vai depender do quanto e por quanto tempo a Catalunha manterá sua paixão por independência e liberdade frente a repressão versus o quão rápido a diplomacia catalã consegue aliados de peso que reconheçam seu pais. Ou seja sem eufemismo com interesse e foça para comprar uma briga com a Espanha. Sem isso o sonho de liberdade não morre, mas essa declaração de independência sim.

A fonte que eu cito agora não é das mais confiáveis, não porque seja parcial, todas são quando afetam seus interesses, basta ver, o jornal “progressista” El Pais sobre as manifestações quando dentro da seus domínios de interesses e quando nos domínios alheios. O problema dessa fonte de informação é que ela utiliza a técnica de contrabandear desinformação (fakenews) dentro de noticias que as vezes são um “furo” de informação. Fica ao leitor filtrar, o que há de verdadeiro mistura a mentira. Ou mais precisamente descobrir o touro e o homem, por trás do minotauro que eles criam em sua propaganda ideológica disfarçada de notícia, que querendo ou não é comunicação inclusive da própria técnica de comunicação. Eis a “notícia”:

O que Soros tem a ver com movimento independentista na Catalunha?

Como eu disse tirando a forma conspiratória que ela é escrita, bem ao gosto das esquerdas bolcheviques, onde tudo é uma trama, como se não existisse 300 anos de demanda popular por libertação na Catalunha, inclusive com guerras. É interessante notar que há interesses difusos e oportunistas que podem se aliar ou apoiar a Catalunha nem tão abertamente para tentar vantagens, inclusive pecuniárias. Se estão a fazer a financiar apenas movimentos internos tipo o MBL a fabricar petistas de direita para causar caos e especular. Se de fato estão a fazer a diplomacia informal, a articular com uma especie de embaixador ou chanceler informal, o Davi Catalunha tem chances ainda pequenas frente ao Golias Espanhol, mas não é só a funda, (um estilingue pré-histórico) que eles contam.

A propósito perdão, pelos números errados, não sei porque tenho um sério problema com numerações e firmas (especialmente aquelas que precisam de assinaturas reconhecidas em cartório). Quanto ao português ruim, também peço perdão, poderia dar a desculpa que é para manter a velocidade da analise e quantidade de produção. Mas eu poderia escrever rápido e quantidade sem revisão de ninguém se também não fosse eu velho tão parecido com Rajoy, um ignorante conformado e até orgulhoso da minha ignorância. Vai ver que a tradição da nossa cultura ibérica católica, patriarcal e conservadora. Ou isso é só outra desculpa para não mudar?

Sou radicalmente contra todas as formas de predetermismo por gene seja a a biológica ou cultural. Isso não quer dizer que esse renego o que há de bom e ruim em nossos caracteres herdados, isso quer dizer, que não estou disposto a esperar alguns milhares de anos, a contar com a sorte das “mutações aleatórias”, para evoluir nem que se seja um pouco. Evolução ou revolução, assim como o progresso são termos que escondem juízos de valor, mas como pouca gente gostaria de viver dentro dos conjuntos de valores dos homens das cavernas, e como eles foram extintos justamente por não conseguir desenvolver valores mais adequados e competitivos as transformações do mundo, pouco me importa o nome que se dará as transformações que precisamos fazer, revolução ou evolução, reforma ou inovação, o que me interessa é o fazer o que é preciso, adaptar-se ao mundo que já mudou. E rápido porque querendo ou não essa a lei natural não só da sobrevivências das espécies, mas dos povos ou se preferir culturas.

Agora, cultos e culturas a parte, que no fundo ainda somos os mesmos e vivemos como nossos ancentrais- e irmão ainda que separados- isso aí é difícil de negar. É Espanha, é Portugal, é Moçabique é Angola é Ilha de Madeira mas poderia muito bem ser el pais de nosostros, El Reino del Brazil:

Isaltino, o autarca corrupto que os portugueses adoram”. É este o título do artigo que parece querer mostrar aos espanhóis que para todos os políticos locais, igualmente condenados a penas de prisão por negócios no ramo imobiliário, também poderá haver esperança de uma bem sucedida ‘reinserção’

Escrito com ironia, o artigo que o “El País” dedica este domingo à grande vitória de “Isaltino, o autarca corrupto que os portugueses adoram”, apresenta aos leitores espanhóis o peculiar e espantoso regresso do político português ao município de Oeiras, após ter sido condenado e preso por crimes relacionados com o mesmo cargo e para o qual foi reeleito nas recentes autárquicas.

“Alguém que pusesse um pé fora de Lisboa, podia ler em grandes cartazes que Isaltino estava de volta”, refere o artigo, ressalvando que para quem não esteja a par da história o caso pode causar alguma perplexidade. O jornal diz mesmo que a capacidade do político em conseguir reerguer-se desta forma faz parecer tratar-se de um autêntico “Super-Homem”.

“Em 2009, ele foi condenado a sete anos de prisão, a uma multa de quase meio milhão de euros e à perda de cargo público. Em suma, foi condenado por conceder licenças aos construtores e o dinheiro apareceu numa conta na Suíça”, descreve o “El País”, que realça que desde que se candidatou às primeiras eleições municipais, em 1985, Isaltino saiu sempre vitorioso.

“Isaltino, ‘Frauderman’, já tem a maioria absoluta de Oeiras, um município escondido numa bolha imobiliária para felicidade do seu autarca”, refere ainda o artigo, antes de estabelecer um paralelismo com a situação em Moçambique, onde, no mesmo dia em que decorreram as autárquicas em Portugal, a Frelimo, no poder, “decidiu que o partido corrupto não deveria ser condenado ao ostracismo, mas pelo contrário era necessário ‘ressocializar’”.

“Isaltino é o grande ressocializado de Portugal”, conclui o artigo. Mas apesar da comparação ser feita com o que se passa em Moçambique, nas entrelinhas fica subentendido que para os políticos espanhóis igualmente condenados a penas de prisão por negócios no ramo imobiliário também poderá haver esperança de uma bem-sucedida ‘reinserção’. –”El País” diz que Isaltino, o ‘Frauderman’, é um grande exemplo de “ressocialização” (nota: o El País de Rajoy)

Outra:

O Supremo Tribunal de Justiça rejeitou o pedido de habeas corpus de Maria de Lurdes Rodrigues, a investigadora [pesquisadora] que está a cumprir pena de prisão por crimes de difamação e injúria contra magistrados.

Quatro deputados da Assembleia Legislativa da Madeira endereçaram ao Supremo Tribunal de Justiça (STJ) um pedido de libertação de Maria de Lurdes Lopes Rodrigues, que está a cumprir uma pena de três anos de prisão no Estabelecimento Prisional de Tires.

Mas o STJ indeferiu o pedido, considerando que “não se verifica a ilegalidade da prisão”, conforme cita o jornal Público. (…)

Maria de Lurdes Rodrigues foi detida em Setembro de 2016, mas o processo remonta há mais de 20 anos, depois de ter sido preterida no processo de atribuição de uma bolsa de estudos.

Na altura, desafiou o então ministro da Cultura, Manuel Maria Carrilho, e fez declarações contra os magistrados que pegaram no seu caso, nos tribunais, insinuando práticas de corrupção.

Acabou por ser condenada a pena de prisão, sendo uma das poucas pessoas que está atrás das grades, em Portugal, por crimes de difamação e injúrias.Supremo rejeita libertação de investigadora que acusou juízes de corrupção — ZAP

O deputado do PTP, José Manuel Coelho, esteve hoje no Estabelecimento Prisional de Tires, para visitar a investigadora Maria de Lurdes Rodrigues, “presa por delito de opinião”, desde o dia 29 de Setembro do ano passado.

O líder do PTP — Madeira considerou que não é aceitável que em democracia haja um código penal que restrinja a liberdade de expressão dos cidadãos e que prenda pelos crimes de injúria e difamação. “Temos de nos unir em torno desta causa e exigir a libertação da investigadora Maria de Lurdes Rodrigues”, reiterou.

“A prisão da Maria de Lurdes”, referiu o parlamentar trabalhista, “representa os efeitos de um código penal que não se coaduna com os valores democráticos, e que pode atingir qualquer um. Em nome da democracia é imperiosa a eliminação dos artigos 180º, 184º e 187º do Código Penal que praticamente vêm restaurar através dos tribunais, os abusos e arbitrariedades praticados pelo Estado Novo [claro que eles também tiveram o seu e praticamente no mesmo período] e pela PIDE, defendeu o deputado. –José Manuel Coelho reiterou necessidade de liberdade de expressão

Não definitivamente, não. Qualquer similaridade ou sincronicidade não é mera coincidência.

RAFAEL BRAGA. RAFAEL BRAGA.

O respiro do inferno de Rafael Braga, um dos 248.800 presos provisórios do Brasil

RAFAEL BRAGA.

RAFAEL BRAGA.

RAFAEL BRAGA.

RAFAEL BRAGA.

RAFAEL BRAGA.

RAFAEL BRAGA.

RAFAEL BRAGA.

248.800 vezes Rafael Braga, porque é isso que ele é… é isso que somos, esse é o nosso valor de uso e de troca, meros registros contábeis de propriedade de Estados Bancários. Recursos humanos.

Eis que voltamos para a Catalunha.

O que está em jogo é o futuro de um território estratégico para a Espanha, com uma superfície equivalente ao tamanho da Bélgica, com 16% da população do país e responsável por 19% de seu Produto Interno Bruto. E Madri não pretende ficar de braços cruzados.

Mas não. Não é só isso…

Atenas – Anarquistas invadem embaixada espanhola na Grécia para apoiar Catalunha

Não deixa de ter seu simbolismo que dois sítios históricos para a democracia e as lutas libertárias sejam novamente o ponto de resistência e progresso contra as ondas reacionárias e autoritárias.

Anarquistas preenchem vácuo do governo e assumem assistência social na Grécia

Não é só a natureza que abomina o vácuo, os povos e sociedades também. E quando a “austeridade” produz o vazio social, a população produz, novas sociedades, novos governos, encontra novas formas de sobreviver e viver com a liberdade e dignidade que lhes são negadas. A vida sempre se adapta para continuar sendo o que é mesmo quando até isso se tenta destruir: vida.


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