Leituras e repercussões Imediatas da declaração da independência… e sua suspensão para uma abertura…

Leituras e repercussões Imediatas da declaração da independência… e sua suspensão para uma abertura a negociação

Ou muito pouca gente entendeu o movimento do presidente da Catalunha inclusive alguns dos apoiadores mais importantes- o que em si já é problema-; ou minha analise está completamente completamente equivocada, e o que é pior mais equivocada ainda o movimento do governo Catalão:

O discurso foi recebido com desânimo pelo partido que é o principal aliado do governo regional, ao suportar a maioria parlamentar: a CUP (Candidatura de Unidade Popular, extrema-esquerda).

A CUP disse que a declaração de Puigdemont constituiu uma oportunidade perdida e que não se pode suspender os efeitos do referendo pela independência de 01 de outubro, que deu a vitória ao “sim” mas que tinha sido considerado ilegal pela justiça espanhola. Alguns militantes da CUP acusaram mesmo Puigdemont de “traição inadmissível”.

Outros aliados do governo regional, como a Esquerra Republicana Catalana (ERC), também consideraram que a declaração de Puigdemont não constituía uma autêntica declaração de independência, pelo que promoveram um documento por escrito que o deixasse mais claro.

Intitulado “Declaração dos Representantes da Catalunha”, o documento de pouco mais de três páginas indica que a “Catalunha restaura hoje a sua plena soberania, perdida e largamente sonhada, depois de décadas a tentar honestamente e lealmente a convivência institucional com os povos da península ibérica”.

“Constituímos a república catalã como Estado independente e soberano, de direito, democrático e social”, salienta a declaração, que não refere grupos parlamentares nem tem o timbre ou cabeçalho do parlamento regional.

Os signatários também incluíram na declaração um apelo “aos Estados e às organizações internacionais para que reconheçam a República catalã como Estado independente e soberano”. — Catalunha — Nasceu a ″República da Catalunha″ em três páginas

Mas não acredito. O ponto central é que a Catalunha precisa do apoio internacional. Porque o difícil não é declarar, o difícil é sustentar, é manter. Principalmente contra forças mais poderosas, Espanha, Europa, o grande capital, e as outras nações. Ele precisa do reconhecimento ao menos de uma. E precisa do reconhecimento de uma que tenha força para fazer contrapeso as potencias. Porque não governo menor consegue manter seu regime seja uma democracia ou ditadura sem o apoio de ao menos uma grande potencia. Dai, que o mundo geopolítico não existem países que não pertencem a algum bloco ou aliança, política econômica ou militar. Sem essa articulação, se essa articulação diplomática para independência não foi feita. Então tudo Puigdemont tem é isso, um blefe. Um blefe que pode dar certo se e somente se o governo espanhol continuar a cair nele mantendo sua postura intransigente até o ponto que a pressão da opinião pública internacional comece a pesar sobre o governo dos outros países. Sem esse erro estratégico da Espanha a alimentar e rápido a pressão internacional para que outros Estados intercedam, a tendência é tanto o processo perder calor e pressão.

EUA mantêm posição de uma Espanha unida frente à independência da Catalunha

Em outras palavras o tempo está contra a Catalunha. Ele precisa ganhar apoio rápido, ou contar com uma decisão imprudente do governo espanhol que precipite a condenação e pressão da opinião publica internacional. Sem ela está mais do que claro, no que depender dos tecnocratas e burocratas da Europa e governantes de outros grandes Estados-Nações, a Catalunha está sozinha e terá que se defender sozinha. Porque o quer que a Espanha faça se não tiver o apoio formal, terá o todo o suporte que o silencio e a cegueira seletiva podem dar em cumplicidade. Porque mediação internacional é sempre bom nas antigas colônias e…dos outros.

Declarada a independência, suspensa a independência. Tendo em conta os apelos externos e internos dos últimos dias, assim como as movimentações dentro da coligação no poder na Catalunha, confirmou-se o cenário mais provável. No Passeio Lluís Companys, onde milhares de catalães se juntaram para estar o mais perto possível do parlamento e seguir a declaração de Carles Puigdemont, viveu-se uma espécie de anticlímax colectivo.(…)

Cristina não consegue parar de chorar. Chorava quando ouviu o líder catalão proclamar a independência, já ele a suspendeu há uns bons cinco minutos e as lágrimas ainda lhe escorrem pelo rosto. Encostada ao marido, os dois de esteladas (bandeira independentista) atadas ao pescoço, ouviu Puigdemont em silêncio.

“É exactamente o que queria ouvir”, diz. “Queria a declaração de independência já mas sei que as coisas não se podem mudar de um dia para o outro”, afirma a catalã de 46 anos. “Estou feliz”, assegura. “Mas o que mais quero para a minha gente é para mim é que sejamos livres. Sobretudo que possamos votar e decidir o nosso futuro. No fim de contas, nós só queríamos votar.” E as lágrimas ainda a cair.

“Chegados a este momento histórico, apresentados os resultados do referendo diante do parlamento e dos nossos concidadãos, e como presidente da Generalitat, assumo o mandato do povo para que a Catalunha se converta num Estado independente em forma de república”, declarou o presidente do governo autonómico, arrancando da rua o maior dos aplausos da noite.

“Com a mesma solenidade, propomos ao parlamento que suspenda os efeitos da declaração de independência para que nas próximas semanas nos empenhemos num diálogo”, disse logo em seguida Puigdemont. Depois de afirmar que os independentistas não são “loucos, arrivistas, golpistas” mas “gente normal” sem “nada contra Espanha ou os espanhóis”, o presidente do governo insistiu, uma vez mais, na necessidade de se chegar a “uma solução acordada”.

Ao contrário de Cristina, muita gente mordeu dedos ou tapou a cara de nervos à medida que Puigdemont ia falando. As palavras “Estado independente em forma de república” provocaram o único momento de histeria. Muitos, muitos abraços, gritos de “independência”, alguns saltos. Foi curto.

Alguns pareciam incrédulos quando Puigdemont anunciou a suspensão dos efeitos da independência.

“Há um antes e um depois de 1 de Outubro, e conseguimos aquilo que nos tínhamos comprometido fazer no início da legislatura”, afirmou Puigdemont. O problema é que depois, apesar de ter provavelmente “evitados males maiores”, pelo menos no imediato, como lhe pedira a autarca de Barcelona, Ada Colau, não foi consequente. (…)

Entre os independentistas, há quem espere há muitos anos por estas palavras, gente que foi votar em cadeira de rodas, jovens que querem tudo para já.

Koldeo, 62 anos, t-shirt vermelha com letras amarelas da campanha “Ara es l’hora” (Agora é o momento), lançada antes da consulta não vinculativa de 2014, está sentado em silêncio ao lado da mulher. “Queria uma declaração de independência sem condições”, diz. “Não é o que esperava” é a frase que repete em seguida, ainda a gerir as emoções de um dia que antecipava diferente. “Estou à espera há muitos anos…”

Puigdemont fez aquilo que muitos lhe pediram. Não capitulou nem se limitou a proclamar a independência. Nada garante que consiga seja o que for. Cá fora, em redor do Parque da Ciutadella onde fica o parlamento, encerrado desde a véspera pelos Mossos d’Esquadra, alguns tinham trazido enormes faixas brancas onde se lia “é preciso desobedecer”. Quem as trouxe deixou-as ficar.

Em Madrid, Rajoy reuniu-se com o seu ministro da Justiça, Rafael Catalá, para estudar a resposta ao que o Governo descreve como “chantagem inadmissível”.

Para já, o que Puigdemont conseguiu foi tornar mais difícil ao primeiro-ministro anunciar o “estado de emergência” ou a aplicação do artigo 155 da Constituição, que suspende as instituições da autonomia. Essas medidas levariam de novo o movimento independentistas à rua e na Catalunha ainda estão 12 mil membros da Polícia Nacional e da Guardia Civil enviados pelo Governo.

“Não queremos submissão, queremos ser livres e organizarmo-nos numa república aberta ao mundo”, disse no parlamento Anna Gabriel, porta-voz da CUP. “Hoje iniciamos uma nova etapa de luta porque hoje já não podemos suspender os efeitos de 1 de Outubro. Nós não podemos suspender os efeitos de nada. Diz-se que é por que se vai à mediação. Com quem? Com o Estado espanhol que permite a acção da extrema-direita nas ruas?”, perguntou, ecoando as dúvidas de muitos dos que assistiam ao plenário.

Ismael, arquitecto de 42 anos, filho de pai catalão e mãe sevilhana, compreende o que fez Puidgemont, essa “insistência em dizer que continuamos sentados à mesa, que não somos nós que nos vamos levantar, mas falta um interlocutor, uma ponte”. Este catalão também fala da extrema-direita que começou a sair à rua em Barcelona e que na segunda-feira atacou uma manifestação de esquerda em Valência. “Há muito ódio no Estado espanhol. Há uma Espanha profunda que não entende a nossa busca por mais democracia”, diz.

Para Ismael, como para o resto dos catalães que acreditam neste processo, “isto não se vai aguentar muito mais, os líderes da Catalunha propuseram de tudo a Madrid nos últimos anos e nunca tiveram resposta; somos um povo de paz e esta é uma questão de democracia”. Ismael espera que “este voto de confiança” dado por Puigdemont “ao Estado mas também, e principalmente, à comunidade internacional” obtenha uma resposta. “Mas creio que não podemos esperar muito tempo”.-Catalunha. Líder catalão dá uma última oportunidade de diálogo a Madrid

O ponto fundamental é tudo novamente depende como Madri vai reagir. No discurso continuam irredutíveis a intransigentes a desqualificar todo o processo e renegar o dialógo. Resta saber se irão nos atos. Ou se vão pagar para ver até onde o governo Catalão resiste ou capitula de vez.

Madrid considera ″inadmissível″ declarar independência e deixá-la em suspenso

Particularmente, acredito que nenhum dos lados vai ceder no elemento central. Por uma questão de orgulho ou dignidade, chame como quiser.

Disto, me arrisco a dizer que o seguinte cenário:

Espanha não vai dialogar. Europa e ONU vai olhar para outro lado. E Catalunha vai ficar isolada, sem apoio nem mediação. Porém antes de derreter de vez o atual governo catalão vai retirar a suspensão da independência declarada por falta de dialogo. E Espanha vai intervir.

Daí por diante o que se segue, é completamente imprevisível até mesmo neste nível do mero palpite. Porque vai depender da reação popular e nada mais imprevisível que a reação de povo, especialmente quando acuado.

Cartas na manga não há, senão teriam sido usadas hoje, agora ou uma nova variante entra na equação. Ou é isso até mesmo por falta de opção: Catalunha capitula de vez ou declara de vez a independência. Talvez recue frente ao que vai enfrentar, porque a estratégia espanhola não é outra senão a oposta, não deixar dúvidas nem aberturas, mas só uma certeza vai haver repressão e retaliação. Estados-Nações são governo da força, ou Catalunha consegue aliados de peso ou eles vão calar sua boca para que não proclame mais nada. Não existe declaração unilateral de independência da mesma forma que não existe declaração de paz unilateral. Toda declaração de independência é por definição unilateral, assim como toda declaração de paz, é precisa ser multilateral.

Se Puigidemont não for um demagogo e não creio que seus antecedentes. A independência foi declarada. O que a Catalunha está a negociar com a Espanha agora é uma acordo de paz. Porque as pessoas não entendem porque o presidente catalão fez isso, pelo mesmo motivo que não entende como a situação geopolítica na Espanha e no resto do mundo chegou ao ponto onde está, elas não entendem porque não querem acreditar no que está acontecendo nem no que pode ou está para acontecer. Não querer crer que no referendo, não querem crer na secessão, não querer quer a suspensão é temporária, assim como não querer crer que do outro lado Madri não pode ser autoritária mas não é tola, e sabe de tudo disso. E mesmo sabendo não querer crer que ela tome medidas que possam levar a manifestações, confrontos e conflitos em massa contra forças policiais e até militares. As pessoas simplesmente não consideram essa hipótese, porque não querer sequer pensar nessas possibilidades. Mas o fato, é que os movimentos de ambos governo, a histeria em torno de uma declaração extremamente moderada e até decepcionante, são sinais do oposto. São sinais do tamanho do perigo da crise. Porque dizem os nortecoreanos que cães que ladram muito não mordem. Eles mordem. Mas os mais perigosos são os que pouco ou nada ladram, mas só mordem. Esses sim são os mais perigosos. E curiosamente nisso Rajoy e Pigimont tem algo em comum, são tipo que mais mordem do que ladram.

Amanhã é a vez de Rajoy. Ele vai, ladrar, morder, ou morder e assoprar como Puigidemont? O fato é a palavra e ação estão novamente com ele. Veremos se o governo catalão acertou de novo ou errou em passar a bola para o outro lado…

Catalunha: BE diz que "bola está do lado" de Madrid


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