No dia das crianças, lembre-se: brincar é saudável, politizar a infância, não!

Por Rodrigo Constantino

A marca de sabão Omo tentou fazer média com a beautiful people e preparou uma campanha politicamente correta, tentando ensinar aos pais como seus filhos deveriam brincar, livres de quaisquer “preconceitos” ou “estereótipos”. Foi um baita tiro no pé, com menos de 20 mil curtidas para quase 150 mil “descurtidas”.

Eu mesmo assumi que sou meio “omofóbico” depois dessa campanha, e divulguei uma imagem que vi na minha timeline, que seria a resposta de um concorrente. Parece se tratar de um “fake”, mas isso não impediu sua viralização, com 10 mil “likes” só na minha página, pois seria mesmo uma jogada de mestre da empresa:

Alexandre Borges, que é publicitário, identificou os itens que evidenciam ser falsa a propaganda: 1. Reticências em título, nem estagiário; 2. “Lhe” (ou qualquer pronome átono) idem. Mas há uma resposta oficial e verdadeira de outro fabricante, que realmente “mandou” a Omo fabricar sabão e limpar as roupas, deixando a educação dos filhos com os pais.

Hoje é Dia das Crianças, uma data propícia para falarmos desse assunto, portanto. Há jornalistas querendo que crianças de 5 anos nos deem “lições” sobre a vida, desde que essas “lições” se encaixem em suas ideologias pré-concebidas. A esses, recomendo O senhor das moscas, livro que derruba certo romantismo rousseauniano comum em redações de jornais.

Francisco Razzo desabafou sobre o caso: “Quando é para confirmação de uma ideologia, não importa qual, até uma criança de 5 anos –atenção: 5 anos! — vira referência e ‘dá lição’, segundo jornalistas. 5 anos deve ser a mesma idade mental de muitos intelectuais, políticos, artistas, jornalistas e ativistas brasileiros”. Já sobre as brincadeiras “adequadas” para as crianças, Razzo fez um longo e pertinente comentário:

Meninos brincam de carros, espadas e guerras; meninas de bonecas, vestidos e castelos. E isso não deveria ser um problema. Às vezes ocorre o contrário, meninos brincam de bonecas e meninas de carro. E isso também não deveria ser um problema. Sexualidade não é virtude; coragem é virtude; virilidade, feminilidade, senso de justiça, honestidade, generosidade, gentileza, veracidade, agilidade, amizade, modéstia, justa indignação, temperança, prudência e autonomia são virtudes. Machismo e feminismo não são virtudes; machismo é vício; feminismo, ideologia. Assim como são vícios covardia, preguiça, pedantismo, melevolência, insensibilidade, indiferença, grosseria, insolência, indecência, atrevimento, volúpia, licenciosidade, libidinagem, devassidão, orgulho, vaidade e arrogância. Crianças brincam para simular, com o poder da imaginação, as possibilidades efetivas da realidade, as exigências tangíveis do mundo. Não precisam ser espartanas, mas devem antecipar as ameaças, os perigos, as conquistas, as decisões e as responsabilidades que a vida adulta exigirá. A imaginação treina o intelecto, a autonomia, a liberdade e o senso de dever. Brincar é exercício de imaginação, que diferenciará o certo e errado, o justo e o injusto, o virtuoso e o vício. Quando uma psicóloga diz que “A ideia de que há brinquedos de menina e de menino está atrelada a um preconceito que a gente vai encucando nas crianças” o que ela faz não é nada além de atribuir ao mundo imaginário da brincadeira de menino e de menina, pelo qual, cada um a seu modo, ajudará a distinguir virtude de vício, o mundo ideológico e homogeneizado dela, onde tudo é possível. Onde sexualidade é virtude e virilidade e feminilidade são vícios. Onde não há mais a distinção entre público e privado, porque, afinal, vale tudo. Há meninos e meninas, e isso não é uma invenção do preconceito; isso é a realidade, e na realidade, nem tudo é possível. A guerra ideológica dos gêneros dissimula e oculta a realidade da guerra e da violência efetiva entre as pessoas, dissimula os fantasmas exteriores e interiores e, por fim, acaba criando um mundo de ressentidos e mimados, que diante da primeira exigência da vida adulta dirá que “a culpa é da sociedade” ou “a responsabilidade é dos outros”.

Gustavo Nogy também acrescentou sua opinião:

Polêmicas em pó: é evidente que meninas também brincam como meninos: às vezes de carros, de bola, de luta; e meninos brincam como meninas: às vezes de bonecas, de cozinha, de castelos. Brincar não é problema; problema é existir uma agenda, um direcionamento, uma manipulação para que meninas brinquem como meninos e vice versa, de acordo com pautas políticas ou culturais muito bem desenhadas. Se a menina pega uma bola e sai chutando, isso é normal; se um menino pega uma Barbie e brinca, isso é normal. Não é normal que, com o intuito de se desconstruir certos paradigmas, imponham-se outros.

O grande mal é mesmo a ideologia, no caso a de gênero, um ataque à ciência, à biologia, à natureza, e à família. Como disse Percival Puggina, homossexualismo não é doença, mas ideologia de gênero sim. Essa turma pervertida, digo, “progressista” politizou tudo! Não há campo da vida no qual a política não venha dominar. “Meu ânus é revolucionário!”, gritam os alienados, usando termo de mais baixo calão inapropriado aqui.

Até mesmo o ato de brincar das crianças vira uma grande prova da “sociedade patriarcal machista” que impõe seus “preconceitos” e “estereótipos” e, portanto, é preciso “desconstruir” tudo para colocar algo completamente novo em seu lugar. Essa gente é doente!

Os “desconstrutivistas”, os filhotes de Gramsci, da Escola de Frankfurt, que olham para crianças, crianças!, e enxergam ratos de laboratório, cobaias humanas para seus experimentos sociológicos eivados de ideologia: esses são os inimigos da liberdade, da infância, do bom senso.

São esses que querem proibir publicidade voltada ao público infantil, o que inviabilizou programas com desenhos animados em TV aberta, substituídos por Fátima Bernardes falando sobre “ideologia de gênero”. São esses que querem proibir armas de plástico ou jogos violentos, para não “estimular a violência”, ao mesmo tempo que acham lindo e “artístico” colocar crianças tocando no corpo de um homem estranho nu!

comentei aqui sobre essa forçação de barra que pretende impor às crianças um modelo “novo”, preconceituoso em si, que pretende abolir os “preconceitos”. Até mesmo macacos apresentam inclinações naturais na hora de escolher brinquedos!

Fecho com um típico dia das crianças nos Estados Unidos, quer dizer, nos subúrbios americanos, locais em que o “progressismo” ainda não chegou com tanta força para estragar tudo, onde pessoas ainda frequentam missas aos domingos, e sim, compram armas:

A emoção dessa menina vai despertar horror na GNT people, certamente. Se ao menos ela estivesse tocando num peladão dentro de um museu…

Rodrigo Constantino


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