Vicente França e os Fundamentos: o professor que me ensinou o que é trabalho social… com o…

Vicente França e os Fundamentos: o professor que me ensinou o que é trabalho social… com o basquetebol

Você nunca ouviu falar do Vicentão? Então ou você não é de São Caetano do Sul ou não é “das antigas” do Basquetebol

Vicente em rara homenagens a ex-jogadores é o primeiro da esquerda para direita

Como vários moleques de São Caetano do Sul treinei basquetebol no CENTRO DE FORMAÇÃO DO BASQUETEBOL, tocado anos a fio praticamente sozinho pelo Professor Vicente, uma lenda para quem vive em São Caetano e quem viveu em algum momento o Basquete no Brasil. Como jogador não dei em nada. Além de não ter nenhum talento sempre fui muito burro, em quadra mais ainda. Mas já no trabalho e ativismo social o pouco que aprendi foi com o muito que ele ensinou com o exemplo e inspiração. Achei recentemente um dos raros registros do trabalho social desse verdadeiro professor do que é ser gente.

https://medium.com/media/e7219e7572dbb2539512a4131151bf7c/href

Esporte vira sem-teto em S.Caetano – Diário do Grande ABC

E quanta gente não aprendeu os “fundamentos” com ele? — quantas vezes a gente não ouviu ele palestrar horas sobre a importância de praticar os “fundamentos”? Que a gente aprendeu, aprendeu. Agora se depois de velho a gente desaprendeu a jogar depois de velho, esqueceu desses fundamentos, como ele diria é porque em algum ponto paramos de praticar…

Bandeja com na direita, esquerda direita mão direita. Bandeja na esquerda, direita esquerda e mão esquerda… e com direito a giz no chão para não perder os primeiros passos…

Pois é. Mas ouvindo e assistindo o Vicentão jogar talvez a outra grande partida da sua vida é que aprendi a marcar meus pontinhos, me livrar da marcação e dar uns tocos no verdadeiro adversário da ação social de base. Mas mais do que isso, foi lá que aprendi o que era o mais importante que o “jogo”.

Gente.

Nunca me esqueço, o dia que caçando quadras para jogar no domingo, porque a rica São Caetano mantinha todas suas quadras a época trancadas a chave, fui tentar a sorte na quadra do CFB, a mesma quadra que a gente treinava a semana inteira. Quem sabe, não estaria aberta no domingo. Chegando lá, lá estava ele, o Vicentão, varrendo a quadra, sozinho, ele não me viu, não falei nada, não ofereci ajuda, não joguei aquele domingo, voltei para casa. E naquele dia descobri, porque nossa quadra, estava sempre tão limpa e bem cuidada, mesmo nós, a molecada que só sonhava e comia bola, jamais tendo que se preocupar em limpá-la depois de um treino. Sim, essa mesma quadra que depois seria tomada pela prefeitura, mandado esse trabalho de volta para onde ele havia começou nas quadras abertas e descobertas de ruas e praças públicas. Mas que não pararia, porque ele não iria parar.

Obrigado, Vicentão. Pelos fundamentos do basquetebol. Mas principalmente obrigado pelos outros fundamentos que palavras não são capazes de ensinar.

Para o ex-jogador Vicente França as mudanças são muito significativas, desde que iniciou sua carreira há 50 anos. O ex-armador do Palmeiras lembra que quando começou a praticar, o esporte não tinha nenhum tipo de remuneração. Nessa época, o jogador recebia da prefeitura de São Paulo um emprego, onde tinha seu horário de treinamento estabelecido, mas somente os jogadores que necessitavam eram remunerados. Outro ponto marcante na carreira de Vicente França é a preparação física da época: “Antes dos jogos só treinávamos a parte tática, não se tinha nenhuma preocupação com fundamentos. Antes de um jogo era treinado o esquema tático que seria usado contra o adversário e mais nada. Nesta época nem havia o cargo do preparador físico, sendo o próprio técnico que se ocupava disso.” –Preparo físico no esporte de alto rendimento

Preparo físico no esporte de alto rendimento


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