Os símbolos importam: o caso da bandeira nacional

Por Rodrigo Constantino

Escrevi um texto sobre o caso dos jogadores negros da NFL que vêm se ajoelhando na hora do hino nacional, em ato de protesto durante os jogos. A imensa maioria das reações foi positiva, pois a turma entende o desrespeito desse ato simbólico. Mas, justo numa rede liberal de debates, um suposto liberal veio argumentar que bandeiras são “apenas pedaços de pano”, e devo presumir que um hino é somente “uma sequência de notas e palavras”.

Comento sobre esse debate aqui porque o considero sintomático de um grave defeito de muitos “liberais”, aqueles com viés mais “progressista” e que consideram os conservadores tão perigosos quanto os comunistas. Eles normalmente se julgam muito racionais, tão racionais que rejeitam qualquer símbolo ou mito coletivos, que não passam de superstições na melhor das hipóteses, ou instrumentos de manipulação nacionalista na pior – e mais comum – delas.

Seguindo esse impulso, os jacobinos transformaram Notre Damme em “Templo da Razão”, quiseram fazer tabula rasa de todo o passado, desrespeitaram todas as velhas tradições, símbolos e mitos do povo. Julgavam-se muito racionais, claro, mas sabemos que eram os mais irracionais de todos, revolucionários movidos por paixões cegas, incapazes de empatia ou humildade.

Como um dos conservadores no debate colocou, o “pedaço de pano” é um símbolo abstrato de uma coletividade unida pelo solo comum, costumes, língua, tradição e governo. Não é mero “pedaço de pano”. Não entender isso é um tanto espantoso para quem se diz racional. Quem não consegue entender isso com base na Pátria, talvez consiga com base na família: uma foto dos filhos é apenas um “pedaço de papel”, mas não seria nada agradável ver o outro rasgando esse “papel” na sua frente. Seria uma clara ofensa.

Para o colega “racional”, como o símbolo não é o real, então tudo bem destruí-lo. Mas símbolos representam o real, e por isso mesmo importam, despertam emoções, levam às lágrimas. O sentimento patriótico é bastante real, assim como o amor familiar. Quando alguém desrespeita tal símbolo, está, no fundo, atacando aquilo que é caro a muitos, que possuem um sentimento de pertencimento comunitário, que compartilham da mesma história, de um legado comum.

Presidentes juram princípios e valores com as mãos na Bíblia ou na Constituição. Testemunhas fazem juramentos sobre o livro sagrado também. Toda simbologia seria banal, segundo os “racionais”, pois não são a própria realidade. Tudo bem cuspir nos mitos, nos símbolos, pois não são o real. Falta a compreensão de que o mundo é, também, representação, e que isso tem muita relevância.

Uma aliança de casamento é só ouro. Se o marido derretê-la e fizer um chaveiro em forma de cerveja, acho que a esposa não ficará muito feliz. São só símbolos, não são o real… mas o casal entende perfeitamente que aquela aliança simboliza algo muito concreto e real: sua união, seu casamento, seu sentimento mútuo de amor, sua constituição de uma família. Não é, portanto, uma simples aliança, um metal, mais muito mais.

Theodore Dalrymple tem coisas interessantes a dizer sobre cerimônias, sobre protocolos, sobre símbolos. Ir num enterro de sunga não fere em nada o sentimento de condolências, fere? No entanto seria um claro desrespeito para com a família do defunto. É justamente porque os símbolos são muito importantes, como os britânicos entendem perfeitamente. Não é à toa que a realeza até hoje está envolta em atos cerimoniosos tradicionais, considerados “irrelevantes” para alguns “liberais”.

Voltando aos jogadores da NFL, portanto, a bandeira e o hino americanos são símbolos importantes de algo muito real: o sentimento patriótico. Rasgar esse símbolo é um claro ato de desrespeito à nação, a todos aqueles que compartilham de um sentimento comum, de orgulho nacional, da história compartilhada. Não é apenas rasgar um pedaço de pano, como outro qualquer.

Esses jogadores colocaram o ódio a Trump acima da pátria, a revolta contra o “sistema” acima da nação, e estão pagando um preço alto por isso, pois a maioria entende a importância dos símbolos. O que essa turma não aceita é que esses racistas negros são sim antipatriotas, como muitos esquerdistas, aliás. Obama mesmo “ama” tanto a América que queria transformá-la “essencialmente”. É um “cidadão global“, do mundo!

Patriotismo é coisa de redneck e oportunista republicano, como diz o próprio “liberal”. A esquerda cospe no legado americano, reescreve sua história como uma sequência de racismo, patriarcado machista e opressão, e depois ainda reclama que Trump está dividindo o povo, porque milhões ficam revoltados com tanto desrespeito aos símbolos comuns da pátria. É muita inversão!

Os jihadistas queimam bandeiras americanas porque odeiam a América, o “Grande Satã”. Esse ato simbólico é de total relevância. Quando os comunistas queimavam bandeiras americanas em protesto contra a Guerra do Vietnã, também eram movidos por desprezo pela América. Tanto que torciam para os soviéticos na Guerra Fria!

Ou alguém acha que figuras como Noam Chomsky, Bill Ayers e Michael Moore são patriotas? Radicais islâmicos e comunistas estão “unidos pelo ódio”, como diz um livro sobre o assunto. Ódio a tudo aquilo que a América representa. Havia muitos patriotas no Partido Democrata também. Cada vez menos, justamente porque ele foi tomado pela esquerda mais radical. Por isso tantos democratas têm achado normal ou até legal atletas que desrespeitam os símbolos americanos.

Desrespeitar os símbolos nacionais, portanto, é ser ingrato, cuspir no prato que comeu, ignorar que foi a América, com todos os seus defeitos, que possibilitou tanta prosperidade e liberdade a esses indivíduos. É também um ato segregacionista, pois mira num presidente eleito de forma legítima, e que é o presidente de todos os americanos, apesar das divergências. A nação deveria estar acima disso.

É uma pena, então, que certos “liberais” não consigam enxergar nada disso, e ainda ataquem os símbolos nacionais em nome da razão e do liberalismo. É criar uma barreira entre o liberalismo e o povo. É fazer o jogo da esquerda, que, aliás, adora usar bandeiras vermelhas em seus protestos, nunca as nacionais. Por que será? Talvez, apenas talvez, seja porque os símbolos importam. E essa esquerda radical odeia a pátria, o próprio conceito de patriotismo. Liberais jamais deveriam embarcar nessa canoa furada…

Rodrigo Constantino


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